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Qual é a sua idade?
Quinta, 10 de janeiro de 2010
Entendo que, na vida, há tempo para tudo: tempo para viver, para chorar, para sorrir, para errar, para aproveitar, para aprender, para amar. Enfim, a vida nos apresenta, em vários momentos, opções e nos permite fazer a melhor escolha. Todavia, é necessário que se discuta o que é certo e o que é errado. Será que existe uma regra? Creio que não. Para mim, certo é tudo aquilo que faço e me faz bem; por outro lado, errado é tudo aquilo que faço e me faz mal. Dessa forma, cabe a cada um determinar seus valores e decidir da melhor maneira possível, sempre de acordo com suas convicções.
Diante dessa imagem, surge o seguinte questionamento: será que, aos dezesseis ou dezessete anos o adolescente já tem consciência daquilo que lhe faz bem ou mal? Não creio. Até pela própria idade, ele determina seus valores muito mais pela emoção e beleza do que pela razão. Mas ele tem que escolher, afinal está cursando o "Pré", e o momento é agora.
"Pré"- discordo plenamente dessa nomenclatura. Sou favorável à antiga forma de se referir ao último ano do Ensino Médio: 3º Colegial. Sim, porque o jovem fez o 1º, fez o 2º e faz, agora, o 3º colegial. Todavia esse nome foi trocado por "Pré" e transformado em Cursinho com um agravante: há provas que precisam ser feitas, notas que devem ser tiradas, trabalhos que têm que ser realizados, atividades que necessitam sercumpridas. É, portanto, pior do que Cursinho.
Além disso, por incrível que pareça, alguns só têm 16 ou 17 anos. Com essa idade certamente sairão da universidade, dependendo do curso que escolherem, com 20 ou 21 anos. "Que maravilha!" - dirão alguns pais. "Estamos orgulhosos de nossos filhos!" - comemorarão outros. Isso talvez seja o orgulho de terem transformado em adultos suas crianças que poderiam, ainda, estar curtindo o lado lúdico da vida, aproveitando uma fase maravilhosa que, certamente, jamais voltará. Mas eles não puderam fazer isso, porque tiveram que estudar muito, passaram o ano tendo aulas de segunda a sábado e, não raramente, aos domingos. Tiveram, enfim, que crescer antes da hora.
Essa visão, às vezes, por ser educador, me castiga, quando vejo aqueles olhinhos ansiosos pela vida, debruçados diuturnamente sobre livros, números e mapas, objetivando, ao final do ano, obter uma vaga na universidade. Não que seja inadmissível esse fato, mas, como já disse, há tempo certo para tudo na vida.
Dizem os estudiosos da matéria que esse comportamento é uma necessidade atual, que todo esse procedimento é uma norma estabelecida pela imperiosidade de se vencer nos dias de hoje. Mais uma vez, eu discordo.
Vamos refletir a respeito de tudo isso, vamos pensar de verdade em nossos jovens e dar-lhes o que realmente precisam ter, oferecer-lhes condições de crescerem obedecendo ao seu próprio tempo. Tenho certeza de que assim faremos não só profissionais mais competentes, mas também seres humanos melhores e mais felizes. Quem sabe! Mas, qual é a sua idade?


