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Os Anos Dourados!
Segunda, 10 de novembro de 2009
Um dia desses, alguém me perguntou o que, para mim, representa o chamado "Anos Dourados". E se eu pudesse voltar no tempo, qual seria a minha escolha. Em outras palavras, quando foi o meu "Anos Dourados". Não foi preciso pensar muito. Afinal, sei que todas as idades têm seus momentos maravilhosos, bem como seus momentos difíceis. Todas as idades trazem em si a alegria de viver intensamente a vida, mas também a tristeza de situações que machucam muito. Contudo, como num passe de mágica vieram-me à mente os "Meus Anos Dourados".
Ah! Quanta saudade! O Brasil se sagrava, pela primeira vez, Campeão Mundial de Futebol, revelando para o mundo aquele garoto que seria, mais tarde, considerado o maior jogador de todos os tempos: Pelé; Émerson Fittipaldi ganhava dois títulos mundiais da Fórmula I; Maria Ester Bueno mostrava em Wimblendon a força da mulher brasileira conqusitando vários títulos mundiais de Tênis; Eder Jofre, nosso "Galinho de Ouro" seria o primeiro campeão mundial de Box; nosso basquete mostrava toda a nossa picardia trazendo para a terra brasileira dois títulos mundiais.
Ah! Quanta saudade! James Dean, Elvis Presley, Beatles, Kirk Douglas, Elizabeth Taylor, Eliana, Oscarito, Mazzaropi, a Atlântida, Circo do Arrelia, Roberto Carlos, Beatles, artistas que encantavam os jovens de então e os tornavam seus fãs e seguidores. Lembro-me bem dos Festivais da Record que nos trouxeram Chico Buarque, Caetano Veloso, Jair Rodrigues, Elis Regina, Gilberto Gil, Edu Lobo e tantos outros.
Ah! Quanta saudade! Nosso colégio, local onde crescemos, aprendemos as primeiras letras, tivemos nossa primeira paquera, construímos nossos sonhos, edificamos nossas vidas. Aos domingos à tarde, reuníamo-nos em casa de algum colega e assistíamos ao programa da "Jovem Guarda" que trazia igualmente artistas iniciantes como Ronie Von, Os Incríveis, Renato e seus Blue Caps, Wanderléia, Martinha...
Ah! Quanta saudade! A troca de olhares com aquela garota que habitava nossos sonhos todos os dias; a tensão e timidez ao pedi-la em namoro, preocupados com a resposta; o sim que aliviava nossos corações e nos dava alguma certeza de que éramos correspondidos; o pegar da mão, muitas vezes, depois de muita dificuldade; o primeiro beijo (invariavelmente roubado) fazendo nosso coração bater mais forte e sufocar a própria respiração. Muitos daqueles namoros vingaram, houve casamentos, vieram os filhos, que se tornaram amigos; outros ficaram pelo caminho, embora tivessem sido igualmente envolventes.
Ah! Quanta saudade! Mas o tempo passou. Se olharmos para trás, perceberemos muitas mudanças: o basquete brasileiro já não é mais Campeão do Mundo; o Box não revela mais lutadores como Éder Jofre; o Tênis brasileiro feminino jamais nos trouxe alguém que pudesse, ao menos, lembrar nossa campeã; James Dean nos deixou muito cedo; Elvis Presley também se foi tragicamente; os Beatles, com sua triste saga, há muito nos abandonou; Elis Regina resolveu cantar no céu e levou outros artistas com ela; daquelas meninas que paquerávamos, segurante algumas delas também nos deixaram; os Festivais já não são os mesmos; a praça da cidade foi muito modificada, enterrando nossos sonhos; as canções italianas, que envolveram tantos jovens apaixonados, deixaram de ser cantadas.
Ah! Quanta saudade! Hoje, tantos anos depois, aqui estou eu, bem mais velho, mas feliz. Feliz, relembrando os "Meus Anos Dourados", relembrando momentos que marcaram profundamente minha vida e que jamais sairão de meu coração. Todavia, não é um sentimento piegas, mas o retrato de alguém que sabe que foi e é imensamente feliz.
Ah! Não lhe disse: eu tinha, na época, 15 anos de idade!



